Fábula do Olhar | 2012-2013

Fotopintura digital e texto em moldura

Como uma espécie de artista etnográfica, Virginia de Medeiros, no período de um mês e meio, instalou um estúdio fotográfico em dois refeitórios destinados a moradores de rua na cidade de Fortaleza. A artista retratou 21 moradores de rua numa série fotográfica em preto-e-branco, colheu depoimentos em vídeo sobre a história pessoal de cada um dos colaboradores e fez uma pergunta-chave que direciona e identifica a natureza da obra: Como você gostaria de se ver ou ser visto pela sociedade? Esta questão abre o campo de subjetividade dos indivíduos retratado que, fabulando sua condição, se fazem personagem da obra “Fábula do Olhar”. O momento da fabulação é esse, quando a diferença entre aquilo que é real e aquilo que é imaginado se torna indiscernível, quando por esse processo o indivíduo se constitui como um sujeito da cena e não como um mero objeto que é observado: criar um mundo, nele crer e se projetar. A artista convidou o fotopintor Mestre Júlio dos Santos que, através da técnica da fotopintura digital, coloriu os retratos em preto-e-branco interferindo nas imagens de acordo com as revelações dos moradores de rua. Como resultado temos uma imagem-fabulosa que punha em ação este jogo inelutável entre o real e a imaginação. Cada fotopintura é acompanha por um texto literário, no qual o morador de rua se apresta, fala do que é viver em situação de rua e faz a encomenda da fotopintura.
During one month and a half, de Medeiros installed a photo studio in two cafeterias destined for homeless people living in the streets of Fortaleza. Photographing 20 homeless individuals in black and white and collecting their personal accounts on video, the artist posed a key question that directed the outcome of the work: “How would you like to be seen by society?” This question opened up a field of subjectivity of the individuals portrayed who, fabulating their own conditions, made themselves co-authors of the work. The moment of fabulation are thus moments when the difference between what is real and what is imagined become indiscernible; when, through this process, the individual constitutes itself as subject of the scene and not as a mere object to be observed; to create a world and in it believe and project. The artist Mestre Júlio, through the technique of hand coloured photopainting, coloured the portraits in black and white, interfering on the images in accordance with the revelations of the homeless individuals. What results is an image-fabulation that removes the identity veil that covers and neutralizes the lived presence of these individuals, who have their personal consciousness ignored and covered by identity stigmas and stereotyped images by means of which is represented.
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Jéssica da série Fábula do Olhar 2013 fotopintura digital, texto em moldura, e audio. Digital photopainting, framed text, and audio.
ed 5 + 2 PAs – 120 x 90 cm | produzido em colaboração com o mestre Júlio Santos/made in collaboration with ‘master’ Júlio Santos

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Alexandre
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Maria da Penha
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Marcus
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Andrade
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